Panorama Mercantil entrevista o publicitário José Henrique Borghi. Confira

O empresário, entre outros assuntos, fala sobre suas campanhas, a nova geração que está assumindo a profissão, e a Mullen Lowe Brasil.

No último dia 24 de março, um dos mais conceituados publicitários brasileiros, José Henrique Borghi, conversou com o site “Panorama Mercantil: opiniões que fazem a diferença” – tradicional veículo brasileiro de entrevistas.

O publicitário – nascido em Presidente Prudente, interior de São Paulo, formado em Publicidade e Propaganda pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC- Campinas), fundador da antiga agência de publicidade Borghi Lowe, hoje Mullen Lowe Brasil, e criador de famosas campanhas como a dos Mamíferos da Parmalat e a do tempero Sazón, com o refrão “É o amor” – já conquistou importantes prêmio na área da propaganda. Em sua carreira são 14 Leões de Cannes, 7 prêmios no London Festival, 10 premiações no The One Show, 11 no New York Festival, 15 Prêmios Abril de Publicidade e 10 Clios Awards.

Confira os destaques da entrevista para o Panorama:

Panorama: Quando você cria campanhas inesquecíveis, como Mamíferos da Parmalat e “É o amor” de Sazón, consegue ter a percepção que as peças se tornarão imortais na mente das pessoas?

José Henrique Borghi: Não na dimensão que estas duas foram no Brasil. Quando a gente senta com uma dupla e cria algo, é sempre o filho mais lindo do mundo. Mas nem sempre ele vira um hit, um Roberto Carlos. Na verdade, é muito raro ter campanhas que mexeram e ainda mexem tanto com o imaginário popular.

Panorama: Você fala muito em persistência, dizendo que só chegou no auge da sua profissão por essa persistência. Como está vendo a persistência na nova geração de publicitários brasileiros?

José Henrique Borghi: Eu vejo uma grande angústia e desorientação por parte dessa gente nova. Eles têm ferramentas e possibilidades quase infinitas de criação e, engraçado, parece que por isso mesmo não conseguem focar. Vejo garotos de 20 anos querendo fazer página dupla, filme de um minuto, coisas do século passado! Quando comecei – 33 anos atrás – era só isso que tinha pra fazer. Então a gente varava noite atrás de noite e acabamos expert em contar uma boa estória através desses meios. Hoje, acho que a nova geração sofre da ‘síndrome do tudo pode’.

Panorama: O que é primordial para um marketing ser bem-sucedido em momentos de crise?

José Henrique Borghi: Focar em um conteúdo com propósito. E fazer simples, sem subterfúgios. Falar isso de igual pra igual, criar e incentivar o diálogo.

Panorama: Como a inovação é encarada no ambiente da Mullen Lowe Brasil?

José Henrique Borghi: Busca obsessiva da inovação com naturalidade. Não sei nem se isso existe, mas é isso que buscamos. Vamos nos provocando, testando, tateando, nos movimentando e medindo os resultados. Mas sem esquizofrenia. Sem circo. Outro dia vi um publicitário se esgoelando com a sua equipe, fazendo um auê pra criar o ‘momentum’ de inovação, como se todos ali fossem incompetentes e ultrapassados. Sei lá, achei melancólico. Inovação hoje tá parecendo sinônimo de desespero. Eu, hein.

Para acessar a entrevista na íntegra acesso o link “Sempre haverá espaço para o talento”