Luto nacional: morre aos 86 anos, o poeta Ferreira Gullar

Faleceu no domingo, 04 de dezembro, no Rio de Janeiro, Ferreira Gullar. O poeta e escritor renomado, que segundo a Academia Brasileira de Letras foi vítima de pneumonia, estava internado no Hospital Copa D’Or, na zona sul carioca.
Aos 86 anos, Gullar carregava o prestígio de ter lutado contra a ditadura militar, na década de 60, defendendo a liberdade de expressão. Uma de suas marcas era a luta contra a opressão social, tendo assim obras de pesada relevância para a literatura brasileira. Embasado de fortes convicções políticas, o escritor exilou-se, quando os militares – em 1964 – assumiram o poder através de golpe. O poeta possuía posições progressistas, aliando-se enfim ao Partido Comunista Brasileiro. No pico da repressão, Gullar foi preso. Deixando o país em 1971, morou na Rússia, na Argentina, no Chile e no Peru.
Em 2007, o autor recebeu o Prêmio Jabuti – decorrente de sua obra ‘Resmungos’, e em 2010, foi contemplado com o Prêmio Camões; em 2011, recebeu novamente o Prêmio Jabuti, mas dessa vez com o livro de poesia “Em Alguma Parte”. O escritor colaborou na formação do grupo de teatro Opinião e exercia atividades na revista O Pasquim.
Ferreira Gullar consagrou-se, definitivamente, há dois anos atrás quando assumiu a cadeira de número 37 na Academia Brasileira de Letras, que já foi ocupada por grandes nomes como Getúlio Vargas e Assis Chateaubriand, tornando-se assim um ‘imortal’. A sua carreira, consolidada por mais de seis décadas, pode ser lembrada através de uma de suas diversas expressões artísticas: além de poeta e escritor, era também artista plástico, memorialista, crítico, compositor, ensaista e dramaturgo.
Dentre as principais obras do imortal, em ordem cronológica, valem destaque:
A luta corporal (1964); Manifesto Neoncreto (1959); Teoria do Não-Objeto (1959); João Boa-Morte, Cabra Marcado Para Morrer (1962); Se Correr O Bicho Pega, Se Ficar O Bicho Come (1966); Dentro da Noite Veloz (1975); Poema Sujo (1976); Na Vertigem Do Dia (1980); Argumentação Contra A Morte Da Arte (1993); Muitas Vozes(1999); e o já citado “Em Nenhuma Parte” (2010).
Em 2015, o artista maranhense lançou sua autobiografia, poética, contendo artigos, depoimentos, entrevistas e um painel de sua vida e obra, composto de um caderno de fotos. Gullar foi velado na Biblioteca Nacional.

Saiba mais sobre o falecimento de Ferreira Gullar em: http://glo.bo/2gEk1fJ