Governo do Sudão gasta metade do orçamento em armas enquanto 100 mil pessoas passam fome

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De acordo com informações da Organização das Nações Unidas (ONU) e do próprio governo local, a República do Sudão do Sul, mais novo país africano, possui atualmente mais de 100 mil pessoas passando fome. Esta é uma das mais precárias situações humanitárias da atualidade. Contudo, mais da metade do orçamento do país é gasto em material bélico.

No último mês de fevereiro, o governo declarou que aproximadamente 50% da população não possuiria acesso a alimentos com preços acessíveis até, pelo menos, o mês de julho. Os mais de 12,5 milhões de cidadãos encaram o estado de guerra civil desde 2013 – o país alcançou a independência apenas em 2011. A venda de petróleo responde pela quase totalidade da renda do país: 97%. Entre março e outubro de 2016, segundo cálculos de peritos divulgados pela agência France Presse, o montante obtido com a venda do comódite alcançou a marca de US$ 243 milhões.

As Nações Unidas, com apoio dos Estados Unidos, chegaram a elaborar um documento solicitando o embargo na venda de armamento para o Sudão do Sul. Porém, o Conselho de segurança rejeitou o pedido em dezembro de 2016. Desta forma, as armas continuam a entrar no país, até mesmo com a ajuda de países circunvizinhos, informam diversas fontes locais. Com uma economia destruída, a inflação do Sudão do Sul atingiu o assustador patamar de 800% ao ano. Para se ter uma ideia, no início do ano passado, US$ 1 equivalia a 3 libras sudanesas; hoje, o mesmo US$ 1 vale 120 libras.

Civis são as principais vítimas do conflito

A recente república vive um momento de limpeza étnica. Segundo informe sigiloso da ONU, as atrocidades ocorrem em diversas regiões do país e envolvem homicídio de crianças, estupros, incêndios e até mesmo castrações. Ainda segundo as informações, as milícias envolvidas neste cenário de horror podem chegar a patamares incontroláveis e subsidiar a guerra por vários anos.

O fotógrafo Siegfried Modola, que atua de forma independente e visitou juntamente com um time Médico Sem Fronteiras a área norte do país, relata que a população civil é quem mais sofre com o conflito: “Os civis estão na linha de frente do conflito. Eles não têm acesso a serviços básicos para a sobrevivência. Comida e ajuda médica são quase inexistentes, exceto as providenciadas por organizações humanitárias, quando estão em segurança para atuar”, noticia. Ainda de acordo com o fotógrafo, o aeroporto localizado em Juba, capital do País, serve como centro de apoio para as diversas entidades humanitárias que ajudam os refugiados.

Independência após referendo

A independência do Sudão do Sul ocorreu após um referendo realizado em julho de 2011, onde 98,83% da população votou a favor da separação do Sudão. Questões étnicas e religiosas são os principais vetores de conflito entre as partes. A maioria cristã, que residia na parte sul (hoje país independente), encarava o governo, de maioria muçulmana como discriminatório e o acusava de imposição da religião islâmica em todo país.