Epidemia de febre amarela em MG assusta moradores de outras partes do país

A recente onda de casos de febre amarela alarmou a população brasileira, levando à intensa presença de populares em hospitais e clinicas da rede pública e privada, em busca de vacinação. A busca incessante por proteção contra a doença chegou a zerar estoques de alguns postos de saúde da rede pública do Estado de São Paulo, que oferece gratuitamente a imunização contra a doença para pessoas que viajam à locais onde há possível risco de contaminação – em geral, nas regiões Norte e Nordeste do país.

No entanto, o recente surto da doença na região dos vales dos rios Doce e Mucuri, no estado de Minas Gerais, levou à uma procura mais intensa e, provavelmente, desnecessária. Os números de contágio e morte por febre amarela em Minas Gerais são realmente alarmantes, com mais de 97 casos confirmados, 40 mortes certas, e outras dezenas de casos suspeitos ainda em investigação. Porém, nada que justifique a procura intensa e desmedida por vacinação em áreas como o Estado de São Paulo e a região Sul do país.

Apesar dos casos fatais da doença registrados em 2017, não se trata de um perigo iminente, tampouco de um caso de crise na saúde pública. A Febre Amarela – que recebe este nome por conta da Icterícia ou pele amarelada apresentada por grande parte dos doentes – é uma doença infecciosa, mas não contagiosa. Isto é, ela é causada por um vírus, que só pode entrar em contato com os seres humanos a partir de um mosquito transmissor. Em geral, o principal mosquito transmissor da doença em espaços urbanos é o Aedes aegypti, o mesmo responsável pela transmissão de Dengue, Zikavirus e a Febre Chikungunya.

Especialistas alertam que, por se tratar de uma doença tropical, a probabilidade de contágio nas regiões mais ao Sul do país são bastante reduzidas, ainda que existentes. Os casos verificados nestas regiões são, em geral, importados de regiões onde o contágio com os vetores da doença são mais intensos. Pelo mesmo motivo, a vacinação se torna necessária para os que viajarão para outras regiões tropicais do globo, sobremaneira no continente africano, onde casos da doença tem sido verificados nas últimas décadas. Também se faz necessária a vacinação para pessoas oriundas de regiões onde existem a doença, como o Brasil, e que pretendem ir à regiões como o sul da Índia, onde não há a doença, mas a presença de mosquitos que podem transmitir a doença produziram a necessidade de pessoas oriundas de centros endêmicos do mundo se vacinarem.