Cientistas avisam sobre o aumento da zona morta no Golfo do México

Em algumas regiões do planeta, o grau de oxigênio na água é tão pequeno, que a vida marinha não consegue sobreviver. Esses locais são conhecidos como “zonas mortas”, onde os animais marinhos possuem somente duas opções, que são a migração ou a morte.

Na região do Golfo do México, a sua conhecida “zona morta” chegou esse ano, ao seu maior nível de toda a sua existência, conforme os dados fornecidos pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, sigla em inglês). Essa zona morta é a segunda maior do planeta, perdendo apenas para a  do Mar Báltico .

Ela fica na foz do Rio Mississippi, passando por dez estados dos Estados Unidos antes de chegar ao Golfo do México, no sudeste do país, próximo de Nova Orleans. Segundo pesquisadores, essa área de zona morta está com mais de 22.700 km², sendo essa a maior dimensão alcançada por ela, desde que começou o seu monitoramento há mais de trinta anos.

O diretor do Centro de Pesquisas de Patrimônio de Oceanos Costeiros da NOAA, Robert Magnien, disse à BBC que esse aumento da zona morta desse local está ligado sobretudo a atividades humanas. Segundo ele, os resíduos produzidos pelo homem, o aumento do plantio nessa região e a utilização de produtos químicos e fertilizantes de maneira desordenada, acabaram provocando um aumento da zona morta, tornando a vida marinha inviável.

A extensão que chegou essa área, demonstra o tamanho da contaminação gerada pelos produtos químicos usados na agricultura, influenciando a cada dia mais, os recursos costeiros dessas espécies do Golfo do México.

As correntezas do Rio Mississipi, levam os nutrientes dos produtos químicos usados pela agricultura, incentivando o desenvolvimento de algas e plâncton, que na sua decomposição irão absorver o oxigênio, que é essencial para a sobrevivência da vida marinha nesses locais. Além de todo esse processo, outra consequência dessa decomposição é o aumento da quantidade de fósforo e nitrogênio encontrados na água.

Segundo ainda Robert Magnien, as diversas espécies e também os ecossistemas são contaminados pelo aumento dessa zona morta, sendo que ausência de oxigênio causa a perda do habitat natural dos peixes, fazendo com que eles migrem para outras regiões para que possam sobreviver. Outra consequência é a diminuição da reprodução e do tamanho médio observado das espécies.