Cientistas acreditam que existiu na floresta Amazônica uma complexa sociedade

Existe uma crença popular que a floresta amazônica, por causa da sua densidade, foi uma região quase intocada pela ação do homem e habitat milenar de mais diversas espécies. É inegável a presença de tribos indígenas, mas ate hoje se acredita que a atuação dessas pessoas fez pouca diferença da formação da maior floresta do mundo.

Após algumas pesquisas, essa ideia esta sendo questionada. Alguns cientistas acreditam na existência de uma antiga e grande sociedade complexa dentro da floresta, que influenciou a composição atual dela.

Essa teoria teve inicio após a analise atual do solo desmatado, onde foi notado a presença de hieróglifos. Formas geométricas grandes feitas no solo. São linhas, círculos e quadrados, formando padrões que ainda não se sabe o que representam.

A principal autora do estudo é a pesquisadora, Jennifer Watling do Museu de Arqueologia e Etnografia na USP, Universidade de São Paulo. “O fato de esses locais terem ficado escondidos sob a floresta tropical madura realmente muda a ideia de que as florestas amazônicas são ‘ecossistemas intocados”, afirmou Jennifer Watling.

Outro indicio é o agrupamento de arvores valiosas para a sobrevivência nesses sítios arqueológicos e regiões adjacentes.

Arqueólogos encontraram poucos artefatos nessas estruturas, eles acreditam que elas não foram criadas para se construir cidades. “concentrando-se em espécies de árvores economicamente valiosas, como palmeiras, criando uma espécie de ‘supermercado pré-histórico’ de úteis produtos florestais”, destacou o estudo publicado na publicação científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

Um explorador espanhol, 1541, descreveu um trecho da Amazônia como uma cidade que reluzia branco e que tinha solo fértil. Atualmente, há pouca evidência concreta dessa civilização. Não se sabe se esse relato não passava de um boato, ou se condiz com a realidade como acreditam os cientistas.

Em 2015, foi noticiado que cientistas britânicos iriam usar um drone para mapear a Amazônia em busca de vestígios dessas civilizações antigas. O objetivo principal desse projeto é que desvendar a escala dessa população que viveu na Amazônia antes da chegada dos Europeus.

Esse projeto é conhecido como Iriarte, e prevê usar um investimento de cerca R$5,3 milhões provenientes de investimentos de instituições brasileiras e da Europa. A idéia é que através de um laser acoplado ao drone, que consegue ultrapassar a barreira das folhas no chão da floresta, irá procurar geoglifos de regiões ainda não desmatadas. Caso os geoglifos sejam confirmados, a etapa seguinte é entender as mudanças deixadas no solo e na vegetação.

A preocupação atual com as descobertas, é que essas informações sejam usadas como desculpa para danificar mais o ecossistema da Amazônia. “Nossa evidência de que as florestas amazônicas foram manejadas por povos indígenas muito antes do contato com os europeus não deveria ser usada como justificativa para as formas destrutivas e insustentáveis de uso do solo praticadas hoje” afirmou a pesquisadora Jeniffer Watling.